segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sem "Força": discurso vazio e prática contraditória.







"Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia."
Mahatma Ghandi.







FARSA SINDICAL OU FORÇA PATRONAL.
Nas décadas de 60 e 70 o Regime Militar instituiu interventores nos principais e mais combativos sindicatos pelo país, entre eles, especialmente os da categoria dos metalúrgicos.
Quando se encerra o ciclo dos militares e começa a se estabelecer um clima de pretensa democracia, os antigos interventores contratados para desarticular os trabalhadores na base, são então patrocinados pelas empresas para manter-se nas diretorias dos sindicatos que usurparam pela força da Ditadura. Já é o período Collor e o seu ministro do trabalho é o Magri.
A primeira "central pelega" dessa nova fase é a Central Geral dos Trabalhadores(CGT), sob a tutela de Magri, como resposta dos empresários à ascensão da Central Única dos Trabalhadores(CUT), que já foi uma autêntica ferramenta de lutas e que agora nada difere do lixo que se tem hoje em Gravataí.
A CGT torna-se na sequência a Força Sindical, da mesma forma que, por exemplo, a Arena(partido que dava sustentação política à Ditadura Militar) se torna PDS(Partido Democrático Social) e mais tarde se divide em Partido Progressista Brasileiro(PPB, que hoje é só PP - Partido Progressista) e Partido da Frente Liberal(PFL, que adota o nome atual de Democratas, sonhando em serem comparados com os norte-americanos).
Mas isto é apenas uma referência à história recente e patética da política partidária brasileira.
Partidos políticos não são o que importa, porém não se deve deixar de estabelecer as devidas relações.


Na parte dos comentários(não deixe de fazer o seu, aliás), ao fim desta postagem, há um trecho que fala sobre mais relações políticas partidárias envolvidas.
Aliás, eleições são uma coisa com a qual os pelegos só sabem lidar através da fraude explícita, como as que ocorrem no Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí.
COMO ELES CONSEGUIRAM CHEGAR À DIRETORIA DO SINDICATO DA NOSSA CATEGORIA?
Com as conquistas políticas que obteve no início da década de 90, o Partido dos Trabalhadores(PT) passou a compor governos municipais de capitais importantes como Porto Alegre e São Paulo e do estado do Rio Grande do Sul mais adiante.
Isso fez com que o atrelamento da CUT ao PT sofresse uma brutal deformação da conduta de origem e passasse a ser utilizada como ferramenta eleitoral. Os diretores dos sindicatos filiados à CUT foram e são até hoje orientados a "conduzir" as categorias profissionais a atender aos interesses políticos eleitorais do PT, agitando-os ou freando-os conforme o interesse do partido, desconsiderando completamente as demandas autênticas dos trabalhadores de suas bases. Hoje mais especificamente o trabalho é o de refrear os impulsos por justiça e a luta organizada, para proporcionar e manter a "governabilidade" e a "ordem social" que adquiriram.
No Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre(que abrange - ou abrangia - a região metropolitana) houve uma "chupada de bala" por parte dos acomodados diretores, que sofreram um "golpe" de uns maltrapilhos que estavam à reboque. Uma turminha de inúteis que ocupavam espaço(e apenas isso) obteve financiamento DIRETO da General Motors(GM) através de ligações com o Palácio Piratini da era Antônio Britto e meteu uma "bola nas costas" dos cutistas que ficaram zonzos pelos dez anos seguintes e jamais se recuperaram.
Após uns cinco ou seis anos de brigas e disputas judiciais, a CUT arregou feio e cedeu a um ACORDÃO milionário, abandonando completamente os metalúrgicos da base de Gravataí à própria sorte ou, no caso, à pior das sortes, que é ser representados pela Farsa Sindical.
As decisões judiciais que permitiram que os ratos se instalassem em nosso sindicato são, no melhor das hipóteses, altamente contestáveis. Nem sequer foi considerado pela dita autoridade judicial realizar uma consulta à base dos trabalhadores para que nós mesmos escolhêssemos o que nos era melhor: a CUT, A Força ou um sindicato independente.
O primeiro presidente do, então recém criado, Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, se tornou seu diretor um dia depois de ter sua carteira profissional "esquentada" pela GM, sendo que todos por lá sabem que ele nunca montou uma única peça de carro ou apertou um simples parafuso sequer. A única coisa que eles, os pelegos todos, apertam são as mãos dos gerentes do CIAG/GM(Centro Industrial Automotivo de Gravataí - GM e Sistemistas).
Aqui, como em absolutamente todos os lugares onde a Farsa Sindical se instala, sua ascensão se dá por meios questionáveis. Sua permanência ocorre pela desarticulação da base e através da fraude inequívoca.
PÃO E CIRCO.
Fato é que se vangloriam de conquistas que não realizaram.
Todas as paralisações que ocorreram em todas as fábricas de Gravataí foram SOMENTE mérito dos trabalhadores e trabalhadoras que se indignaram com o trato desumano e abusivo por parte dos patrões que se sentem a vontade para fazerem o que quiserem.
Quando entram os diretores do sindicato na jogada é para fazer um "churrasquinho de enganação" para, em dois, três, quatro dias no máximo, entregarem os metalúrgicos de bandeja para os patrões. Durante as paralisações eles identificam e marcam aqueles que possam ser articuladores para após tentar coopta-los ou entrega-los para os RHs das empresas afim de se livrar deles.
Os valores que advém após isso são sempre muitíssimo inferiores ao que seriam de direito e que são os pleiteados pelos trabalhadores e trabalhadoras.
Recentemente eles tem panfleteado sobre uma pretensa retirada de direitos organizada pelos empresários, mas não referem sobre o Acordo Coletivo Especial(ACE, criado pela CUT), até há pouco, APOIADO pela Força Sindical que só conteve este apoio, após a divulgação nas mídias de que este ACE na verdade desabilita toda a proteção da legislação trabalhista vigente.
Para não queimar seu filme(como se pudessem queimar ainda mais!) fazem todo esse alarde e dizem que vão para Brasília lutar pelos nossos direitos. Contraditoriamente NUNCA fizeram NENHUMA manifestação em nossa própria cidade com intuito de conquistar mais direitos para nossa categoria. Mas já fizeram até carreata para "sensibilizar" o governo e a população a dar MAIS DINHEIRO  para a GM(como se ela precisasse!).
Na base de Gravataí não existe NENHUMA CONQUISTA no que se refere a cláusulas sociais, nenhum direito que não seja os que já são garantidos em lei, as reposições salariais são pouco acima da inflação e há uma enorme defasagem salarial em relação aos trabalhadores de outras cidades e estados como se os metalúrgicos de Gravataí merecessem menos que os de Porto Alegre ou São Paulo.
Para piorar ainda existem situações em que a proteção da lei nem é garantida, como no caso do malfadado banco de horas que é totalmente ilegal! Quem trabalha em fábricas que possuem banco de horas poderia facilmente contestar na justiça, mas corre o risco de ter seu direito negado, porque a diretoria do sindicato ratifica esta distorção, fazendo até publicidade desta agressão aos direitos trabalhistas. Este é um bom exemplo da prática dessa diretoria(contra o discurso hipócrita) do negociado sobre o legislado!
Não é à toa que as pessoas viram as costas, não dão atenção e entram na fábrica quando os diretores começam a fazer seus discursos vazios. Não é que essas pessoas não queiram lutar para melhorar suas condições, mas sim que tem consciência de que vão ser enganadas por estes inescrupulosos, hipócritas e oportunistas.
COMO "DETETIZAR" NOSSO SINDICATO DESSES INSETOS?
Já vimos que os que se instalaram na diretoria do nosso sindicato adoram expor suas fotos nos panfletos que entregam nas fábricas. Deve ser um desses casos raros em que o criminoso faz questão de ser reconhecido!
Curioso é ver que eles estão bem ativos e comparecendo como nunca nas portas das fábricas. Os peleguinhos estão trabalhando bastante! Sabem por quê?
Possivelmente deve ser motivado pelo fato de o Ministério Público e a Justiça do Trabalho estarem de olho neles por causa das fraudes da modificação do Estatuto da Entidade, das recentes eleições, da não prestação de contas nos últimos... Todos os anos! E do enriquecimento suspeito e aquisição de bens dos diretores do sindicato.
Não contentes em receber o generoso "arrego" da GM e dos patrões do distrito industrial e demais metalúrgicas de Gravataí para venderem nossos direitos, parece que os pelegos não se aguentam ao ver o dinheiro que entra do imposto sindical e das "contribuições assistenciais".
 Por mais incrível que possa parecer, a resposta que devemos dar a tudo isto é justamente nos sindicalizando.
Devemos nos organizar dentro de nossas fábricas e formar grupos para discutir as situações que enfrentamos diariamente de exploração, desvalorização e desrespeito.
Nos encontrarmos fora da fábrica para traçar metas e planejamentos é indispensável, bem como para organizar uma sindicalização em massa, formar uma chapa de oposição à atual direção e derrota-los pelo voto apesar de toda a falcatrua que implementaram para impedir eleições livres e limpas.
Um sindicato é uma ferramenta que deve estar nas mãos dos trabalhadores e não de lacaios dos patrões!
Vamos retomar o nosso e, independentemente de obtermos êxito imediato ou daqui algum tempo(isto realmente não importa!) ainda assim nos mantermos organizados na luta  para garantir que não haja NENHUM DIREITO A MENOS E AVANÇAR NAS CONQUISTAS!
Querem saber como? Entrem em contato, perguntem e passem mais informações sobre as situações dentro de suas fábricas. Isto é só um começo...
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Um comentário:

  1. Relações políticas como a que ligava a tal Força Sindical aos seus dois partidos de sustentação: o PDT(Partido Democrático Trabalhista) e o PTB(Partido Trabalhista Brasileiro), pelo qual os integrantes da Força costumavam concorrer(e perder frequentemente) a deputados, vereadores... Os diretores do Sindicato dos Metalúrgicos, pela sua total falta de credibilidade, não conseguem se eleger nem para síndico de prédio, como bem se sabe.


    Agora surgem com uma "novidade velha" e requentada.

    A fundação de mais um partido político(aliás, tudo que o país precisa é de mais um partido pra mamar nas tetas). Nasce, tendo o Paulinho da Força(Sindical) como seu líder, o Solidariedade, que é uma cópia mal formatada do histórico partido polonês Solidarnosc . Bem, sonhar é um direito de qualquer um... Não é mesmo? Se os antigos adoradores do regime militar querem ser chamados de DEMOCRATAS para serem comparados com os norte-americanos, por que não poderiam os pelegos da Força Sindical desejarem ser confundidos com sindicalistas de verdade?


    Eles contam que sempre haverão desavisados que lhes darão seus votos, de um jeito ou de outro.

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