sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O MOVIMENTO DE OPOSIÇÃO SINDICAL E O PELEGUISMO.


Originalmente, pelego é a pele com a lã do carneiro, que se coloca sob a cela para que o cavalgar não machuque os quadris do cavaleiro, mas que não elimina o peso sobre o dorso do cavalo. No sindicalismo, pelego é o dirigente que foi imposto, chegou por meios escusos à direção do sindicato ou se degenerou durante os exercícios de suas funções. Visa enganar os trabalhadores e trair os seus interesses, favorecendo os patrões ou o governo, tirando proveitos pessoais disso.


Assim, as expressões “peleguismo” e “pelego” não estão, neste trabalho, como meros xingamentos. São conceitos e referem-se a um tipo de comportamento de dirigentes sindicais que não têm real compromisso com as necessidades e interesses dos trabalhadores, mas que favorecem a exploração capitalista.


Os pelegos fizeram história no sindicalismo, praticaram isso antes e no período da ditadura militar, em conluio com o governo, por meio do Ministério do Trabalho, que os tinha colocado nas direções dos sindicatos. Mas puderam e podem fazê-lo, também por meio de acordos com os patrões, diretamente. Denunciam aos patrões ou à polícia ativistas sindicais, que não se submetem a eles. Quando se sentem ameaçados, buscam corrompê-los, agredi-los fisicamente e até, se considerarem necessário, assassiná-los.


Como o de pele de carneiro, o pelego do sindicalismo se coloca sobre o trabalhador, servindo a outros.



PELEGUISMO.


No sindicalismo, são chamados de “pelegos” os dirigentes sindicais que, em troca de algum favorecimento pessoal, particularmente de benefícios materiais, fazem um discurso mentiroso para os trabalhadores, no qual dizem lutar pelos seus interesses, mas nos acordos favorecem aos patrões, Com isso, privam os seus representados dos instrumentos necessários para se defenderem.


Para ilustrar esse fato, podemos citar o caso do Joaquim dos Santos Andrade, o “Joaquinzão”, que, em 1964, foi nomeado interventor no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos pela ditadura militar e, em 1965, substituiu o interventor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo (por ordem dessa mesma ditadura). Conseguiu se manter nesse posto, com eleições de “cartas marcadas”, até o final da década de 1980, quando foi para a presidência da CGT (central criada para opor-se à CUT). Joaquinzão deixa em seu lugar Luiz Antonio de Medeiros, o Medeiros da Força Sindical, cujo papel político no sindicalismo brasileiro será um dos nossos próximos temas (ROSSI, Waldemar et alli “A história da Oposição Metalúrgica” Revés do Avesso – Política Cultural e Ecumenismo, Revista do CEPE, ano 15 Centro Ecumênico de Publicações e Estudos Frei Tito de Alencar Lima São Paulo abril/maio de 2006).


A constante competição entre trabalhadores, nas tentativas individuais de alcançarem melhores condições de existência, abre espaço para uma fonte inesgotável de potenciais “Joaquinzões” e “Medeiros”. Mas existem circunstâncias em que os patrões precisam recorrer a setores, considerados como de esquerda, para fazerem valer os seus interesses no interior dos sindicatos.



RESPONDER À OFENSIVA NEOLIBERAL.


A nova política do capitalismo internacional está orientada por um pacto, conhecido como “Consenso de Washington”, que leva à adoção do modelo político econômico neoliberal, gerador da crescente concentração de rendas, do aumento da pobreza no plano mundial e das novas formas de exploração sobre os países do chamado terceiro mundo.


Os principais eixos dessa política econômica neoliberal são: a desnacionalização do mercado de consumo, a desregulamentação (fim) dos direitos dos trabalhadores, o rebaixamento salarial, a privatização das empresas públicas, a aceleração do processo de acumulação de capital nas mãos de um número cada vez menor de capitalistas, o crescimento do desemprego estrutural, levando à marginalização do consumo de grandes contingentes de assalariados.
(...)
Retomar e avançar na organização sindical de base, inclusive no interior das empresas; unifiar os sindicatos debilitados (bases dispersas pelo avanço tecnológico e a reestruturação dos metódos de trabalho que promove nas empresas); organizar as intersindicais; estas são algumas demandas colocadas aos que defendem o caminho classista para as lutas sindicais.





Os textos acima são partes integrantes do livro PARA ENTENDER OS SINDICATOS NO BRASIL: UMA VISÃO CLASSISTA de Waldemar Rossi e William Jorge Gerab editora Expressão Popular 1ªedição maio de 2009.


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