domingo, 28 de junho de 2009

AOS QUE VIRÃO DEPOIS DE NÓS...

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I
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Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez, uma testa sem rugas é sinal de indiferença. Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua já está então inacessível aos amigos que se encontram necessitados?
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É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso.
Nada do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!).
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Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

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Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência, pagar o mal com o bem, não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso! Mas eu não consigo agir assim. É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
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II
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Eu vim para a cidade no tempo da desordem, quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas, deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo que me foi dado viver sobre a terra.
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III
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Vocês, que vão emergir das ondas em que nós perecemos, pensem, quando falarem das nossas fraquezas, nos tempos sombrios de que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes, mudando mais seguidamente de países que desapatos, desesperados! Quando só havia injustiça e não havia revolta.
Nós sabemos:o ódio contra a baixeza também endurece os rostos!
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A cólera contra a injustiça faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós, que queríamos preparar o caminho para a amizade, não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo em que o homem seja amigo do homem, pensem em nós com um pouco de compreensão.
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(Bertoldt Brecht)
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Um comentário:

  1. Este BLOG está a serviço da resistência sindical metalúrgica na cidade de Gravataí na Região Metropolitana de Porto Alegre.
    Aqui serão postados tópicos cujas origens serão a internet e, principalmente, textos e notícias publicadas no Jornal Operário local.
    Boa leitura e contribua com comentários, por favor, para ajudar a nos manter em nosso caminho: o da luta pela dignidade negada a Classe Trabalhadora no Brasil!
    Obrigado.

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